Sexta feira,13 de Dezembro de 1968
Todos os dias acordo e desligo o despertador que eu tanto odeio, e me preparavo para mais um dia cheio de compromissos inadiáveis, reuniões intermináveis e horas de trabalho exaustivo e repetitivo. Sou a típica cidadã brasileira que trabalha como um burro de carga para receber um salário que não paga nem metade de meu esforço.
Ando pelas ruas temerosa, sempre olhando de um lado para o outro e nem nos momentos de diversão esqueço dos perigos que me cercam. Ouço as pessoas falarem de assaltos, sequestros e crimes hediondos todos os dias com uma naturalidade quase sádica. Pela rotina, já estou acostumada com essa realidade trágica. Mas algo dentro do meu coração diz: "É desumano, é cruel...". Minha única saída é ignorar os gritos de socorro que vem de dentro de mim e continuar a viver minha vida, ignorando o absurdo da violência no meu país.
Todos os dias vejo mendigos nas ruas pedindo um pouco da atenção das pessoas em relação a seus problemas, e elas estão apressadas demais com seus horários para ajudá-los. Cada um com seus problemas e todos se dando mal por causa de seu egoísmo, é assim que estamos vivendo.
A educação é precária e penso que o estado deixa nossas crianças em condição de ignorância, para moldá-las de acordo com seus interesses e um dos maiores interesses do estado é "pintar e bordar" com dinheiro público sem nenhum impecílio, e convenhamos, que se a população pobre possuísse um intelecto desenvolvido, seria um grande calo nos pézinhos do nosso governo.
Enfim, esta é a realidade do meu país. Sinto-me indignada, envergonhada e até mesmo possessa quando paro para pensar que poucas pessoas lutam para mudar tudo isso. Quem discorda, debate e luta por justiça nesses "Anos de chumbo" é considerado criminoso e é punido por simplesmente defender seus ideais.
Espero que essa ditadura caia o mais rápido possível, e que as próximas gerações aproveitem com afinco a oportunidade de mudar toda essa situação, deixando de lado, toda acomodação que está instalada na nossa população , para que finalmente possamos viver, em um país realmente justo e livre.

Direto do túnel do tempo! Me senti transportado pro ano de 1968, ouvindo o desabafo, lamento e esperança de uma mulher esclarecida (não amordaçada pelo terror que imperava na época)
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